O mercado editorial na sociedade da informação: apenas uma “recapitulação sublime”?

Há muito tempo que se fala em Sociedade da Informação e do Conhecimento. Todo artigo (e este, infelizmente, não é exceção) começa com essa terminologia oriunda da Administração e Ciências Sociais que evoca uma explosão informacional transformadora, uma onda que levaria a reboque todos os segmentos da sociedade e seus velhos processos e instituições a uma era de esclarecimento e otimização. Mas o que se vê é uma reprodução tosca da velha sociedade em novos suportes, nada mais.

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“Não há progresso, não há revolução de eras, na aventura do saber, mas, no máximo contínua e sublime recapitulação” (sic) discurso do abade Jorge em O Nome da Rosa, de Umberto Eco

Um exemplo muito claro, que é a base do artigo Conteúdos Digitais de Livros na Sociedade do Conhecimento é o mercado editorial, sobretudo no Brasil. A economia do livro envolve uma cadeia produtiva gigantesca, uma enorme estrutura que envolve autores, editores, corpo editorial, distribuidoras, designers, revisores, livrarias, bibliotecas, vendedores de porta, dentre outros elementos que seriam simplesmente descartados com a popularização do formato digital.

Não que o artigo discuta a prevalência ou não de formatos, debate tão antigo quanto os paradigmas sobre os quais ele se estabeleceu, mas o que foi constatado é que há uma grande resistência por parte do mercado editorial em desenvolver uma nova lógica de mercado onde o usuário seja a razão de ser da informação e do conhecimento, no lugar do suporte. Uma constatação alarmante é a de que determinadas editoras disponibilizam livros em formato digital, porém com o mesmo preço e o objetivo expresso de desencorajar a busca pelo virtual e manter a demanda pelo impresso.

Assim como a música, o mercado de livros precisa urgentemente encontrar o seu lugar na pretensa sociedade da informação. As possibilidades proporcionadas pelo desenvolvimento tecnológico devem ser úteis para a busca de novos paradigmas, estímulo de novas práticas de leitura compatíveis com os atuais (e futuros) suportes, e não uma prisão saudosista onde os livros são exatamente os mesmos tanto em papel quanto em bits… e o usuário que se conforme.

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